CÃES
25a. Edição
Sarnas
Demodécicas
Os
chamados ectoparasitas como são denominadas aquelas espécies animais que
parasitam a superfície cutânea de outros animais, como são as sarnas em geral
, apresentam um grupo de espécies pertencentes ao gênero DEMODEX, que por suas
particularidades próprias merecem ser tratados a parte das demais sarnas.
São
estes ácaros, assim chamados por pertencerem a classe ACARINA do philum zoológico
ARACHNOIDEA, de tamanho pequeno, situados no limite da visão humana com a vista
desarmada, pois medem em torno de 100 micra (micra é plural de micron, e este
mede a milésima parte de um milímetro). Assim sendo, para serem facilmente
visualizados, é necessária a utilização de lentes ou melhor ainda do microscópio
ótico.
Entre
as mais de 15.000 espécies desse grupo, em sua maior parte parasitas,
destaca-se o DEMODEX CANIS, que por parasitar o nosso amigo cão será por mim
tratado particularmente. Vive esse parasita no folícolo piloso de outros
animais mamíferos e raramente nas glândulas sebáceas adjacentes aos pêlos,
onde só penetram nas infestações mais graves. Localizam-se quase sempre na
raiz do pêlo, só abandonando essa localização após multiplicação intensa.
Seus movimentos são lentos, irregulares e realizam-se com ajuda das suas patas
atrofiadas em número se oito, por esse motivo (oito patas) são denominados octópodes.
Entre 17 e 26 graus centígrados sua movimentação praticamente cessa, embora não
pereçam, tornando-se intensa em torno de 40 graus.
A
transmissão desses parasitas processa-se por contato tanto direto quanto
indireto, bastando que um animal parasitado tenha contato com outro suscetível,
como outro cão ou mesmo outras espécies animais como bovinos, eqüinos,
caprinos, ovinos e mesmo espécies exóticas desde que mamíferas. É importante
assinalar-se que o homem embora preencha essas mesmas condições de
parasitismo, não foi ainda descrito como parasitado por esse ácaro. É, no
entretanto, o homem, parasitado pelo primo desse parasita, o chamado "Demodex
foliculorum", que no homem causa apenas efeito antiestético, constituindo
o chamado cravo cutâneo.
Voltando
ao Demodex canis: sua propagação é lenta na pele do animal parasitado, porém
em casos especiais de invasão maciça, podem esses ácaros parasitas atacarem
toda superfície corporal ao fim de poucas semanas. Geralmente de início não
ocorre prurido (coceira), sendo esta presente quando a pele venha a
apresentar-se também inflamada em decorrência do próprio parasitismo,
exibindo então o animal forte coceira.
Clinicamente
são descritas duas formas de parasitismo; A chamada forma escamosa ou crostosa,
e a chamada pustulosa. Seus próprios nomes dão idéia dessas formas clínicas,
porém, na realidade, esta última é a evolução natural do parasitismo
anterior quando não devidamente tratado. Nesta última, aparecem infecções
secundárias por germes de supuração, os quais preparam o caminho para a
sucessiva propagação do mal às áreas de pele ainda não parasitadas do
hospedeiro. Como parece ser o principal interesse de todos, saber mais a
respeito dos diversos tratamentos para esse parasitismo, vou fazer um rápido
retrospecto histórico de sua evolução no tempo.
Como
já ressaltei quando tratei das sarnas em geral, o primeiro medicamente
utilizado para esse mal, foi o enxofre, na histórica pomada de Helmerich.
Descobriu-se
posteriormente, que o mesmo enxofre em sua forma nascente tinha ação mais
intensa sobre o parasita, debelando o mal mais rapidamente, sendo então
utilizadas as seguintes fórmulas farmacêuticas: Aplicação inicialmente sobre
as áreas da pele parasitadas de uma solução a 40 % de Hipossulfito de sódio,
e em seguida uma segunda solução (diluída, portanto fraca), de Ácido clorídrico
a apenas 4 %. Aqueles experts em química já terão deduzido, que o ácido clorídrico
entrando em contato já na pele do animal, resultante da primeira aplicação
com o hipossulfito, formar-se-ia o almejado enxofre nascente, e este, pela sua ação
anti-parasitária , vindo a matar a sarna.
Mais
tarde descobriu-se o Benzoato de Benzila, que juntamente com a pomada de
Helmerich e as soluções anteriores são ainda utilizadas para tratar as
sarnas, porém deve ser realçado que para as sarnas demodécicas são esses
medicamentos praticamente nulos. São os mesmos eficientes contra as demais
sarnas, como a própria Escabiose humana e animal, porém contra o demodex suas
ações são nulas.