CÃES
27a. Edição
Sarnas Dermodécicas
Os chamados ectoparasitas como são denominadas
aquelas espécies animais que parasitam a superfície cutânea de outros
animais, como são as sarnas em geral , apresentam um grupo de espécies
pertencentes ao gênero DEMODEX, que por suas particularidades próprias merecem
ser tratados a parte das demais sarnas.
São estes ácaros, assim chamados por pertencerem a classe
ACARINA do philum zoológico ARACHNOIDEA, de tamanho pequeno, situados no limite
da visão humana com a vista desarmada, pois medem em torno de 100 micra (micra
é plural de micron, e este mede a milésima parte de um milímetro). Assim
sendo, para serem facilmente visualizados, é necessária a utilização de
lentes ou melhor ainda do microscópio ótico.
Entre as mais de 15.000 espécies desse grupo, em sua maior
parte parasitas, destaca-se o DEMODEX CANIS, que por parasitar o nosso amigo cão
será por mim tratado particularmente. Vive esse parasita no folícolo piloso de
outros animais mamíferos e raramente nas glândulas sebáceas adjacentes aos pêlos,
onde só penetram nas infestações mais graves. Localizam-se quase sempre na
raiz do pêlo, só abandonando essa localização após multiplicação intensa.
Seus movimentos são lentos, irregulares e realizam-se com ajuda das suas patas
atrofiadas em número se oito, por esse motivo (oito patas) são denominados octópodes.
Entre 17 e 26 graus centígrados sua movimentação praticamente cessa, embora não
pereçam, tornando-se intensa em torno de 40 graus.
A transmissão desses parasitas processa-se por contato tanto
direto quanto indireto, bastando que um animal parasitado tenha contato com
outro suscetível, como outro cão ou mesmo outras espécies animais como
bovinos, eqüinos, caprinos, ovinos e mesmo espécies exóticas desde que mamíferas.
É importante assinalar-se que o homem embora preencha essas mesmas condições
de parasitismo, não foi ainda descrito como parasitado por esse ácaro. É, no
entretanto, o homem, parasitado pelo primo desse parasita, o chamado "Demodex
foliculorum", que no homem causa apenas efeito antiestético, constituindo
o chamado cravo cutâneo.
Voltando ao Demodex canis: sua propagação é lenta na pele
do animal parasitado, porém em casos especiais de invasão maciça, podem esses
ácaros parasitas atacarem toda superfície corporal ao fim de poucas semanas.
Geralmente de início não ocorre prurido (coceira), sendo esta presente quando
a pele venha a apresentar-se também inflamada em decorrência do próprio
parasitismo, exibindo então o animal forte coceira.
Clinicamente são descritas duas formas de parasitismo; A
chamada forma escamosa ou crostosa, e a chamada pustulosa. Seus próprios nomes
dão idéia dessas formas clínicas, porém, na realidade, esta última é a
evolução natural do parasitismo anterior quando não devidamente tratado.
Nesta última, aparecem infecções secundárias por germes de supuração, os
quais preparam o caminho para a sucessiva propagação do mal às áreas de pele
ainda não parasitadas do hospedeiro. Como parece ser o principal interesse de
todos, saber mais a respeito dos diversos tratamentos para esse parasitismo, vou
fazer um rápido retrospecto histórico de sua evolução no tempo.
Como já ressaltei quando tratei das sarnas em geral, o
primeiro medicamente utilizado para esse mal, foi o enxofre, na histórica
pomada de Helmerich.
Descobriu-se posteriormente, que o mesmo enxofre em sua forma
nascente tinha ação mais intensa sobre o parasita, debelando o mal mais
rapidamente, sendo então utilizadas as seguintes fórmulas farmacêuticas:
Aplicação inicialmente sobre as áreas da pele parasitadas de uma solução a
40 % de Hipossulfito de sódio, e em seguida uma segunda solução (diluída,
portanto fraca), de Ácido clorídrico a apenas 4 %. Aqueles experts em química
já terão deduzido, que o ácido clorídrico entrando em contato já na pele do
animal, resultante da primeira aplicação com o hipossulfito, formar-se-ia o
almejado enxofre nascente, e este, pela sua ação anti-parasitária , vindo a
matar a sarna.
Mais tarde descobriu-se o Benzoato de Benzila, que juntamente
com a pomada de Helmerich e as soluções anteriores são ainda utilizadas para
tratar as sarnas, porém deve ser realçado que para as sarnas demodécicas são
esses medicamentos praticamente nulos. São os mesmos eficientes contra as
demais sarnas, como a própria Escabiose humana e animal, porém contra o
demodex suas ações são nulas.